Curso online de Teclado
Brevíssima história dos sintetizadores
Alexandre RosaAula 1
Breve história dos sintetizadores
Olá amigos do Cifra Club.
Fico muito feliz de estar hoje começando hoje o nosso curso de teclado e tecnologia. Espero que durante este período a gente possa estar trocando idéias e elucidando dúvidas através de e-mail ou aqui pela coluna mesmo. O importante mesmo é entender que qualquer instrumento musical requer estudo, disciplina e dedicação. Não quero ficar chovendo no molhado, mas é bom lembrar que praticar e estudar é o essencial para evoluir.
Hoje vamos estudar um pouco de história. Afinal, é importante e interessante conhecer um pouco do passado e evolução do que queremos estudar e nos aprofundar. Isso nos cria uma base, um ponto de partida para começarmos a nos desenvolver como musico, artista. Vamos então com nossa BREVE HISTÓRIA DOS SINTETIZADORES (que não é assim tão breve, mas eu vou tentar encurtar...).
Sr Robert Moog e seu “tecladinho”
Robert Moog nasceu em 1934 em Nova York. Estudou piano quando criança e seu primeiro projeto como “engenheiro eletrônico” foi um Theremin, um instrumento russo inventado em meados da década de 20. Moog adorava ouvir novos sons, buscava sempre algo diferente. Depois de ganhar prêmios como físico e engenharia, Moog começou a se dedicar mais aos seus projetos. Inicialmente Moog pensava num amplificador de guitarra portátil, mas mudou o projeto para um sintetizador.
Com a ajuda de alguns companheiros e compositores, Robert Moog lança seu primeiro sintetizador, chamado MOOG (muitos chamam de MINI MOOG). O tecladinho era monofônico, ou seja, executava apenas uma nota por vez mas era extremamente versátil ao manipular sons. Ataques, caídas de som, filtros e osciladores eram editáveis em tempo real. Moog simplesmente criara a base de todos os sintetizadores, utilizando um padrão ADSR (atack, delay, sustain e release).
O moog foi um sucesso. O teclado foi utilizado por grandes nomes da música como Beatles, Yes, Rush, mas quem imortalizou o sintetizador foi Rick Wakeman, ex-tecladista do grupo YES com o seu disco VIAGEM AO CENTRO DA TERRA.

Robert Moog posando com seu MOOG
Este é um dos modelos de MOOG que foi lançado a partir da década de 60. Tornou-se bem popular na década de 70 com os grupos de rock progressivo como Pink Floyd, Yes, Rush, King Crimson e Rick Wakeman.
Clique aqui e ouça o som do MOOG
Mellotron: o bisavô dos samplers
Junto com o MOOG, outras tecnologias foram surgindo, e junto com elas veio o primeiro sampler da história: o Mellotron.
Apesar do MOOG ser um sintetizador com grandes possibilidades de mudança timbral e edições complexas, ele era muito limitado ao imitar vozes humanas, cordas de orquestra e outros instrumentos orgânicos. A solução foi o Mellotron, que era na verdade um toca-fitas com teclas. O sistema era bem arcaico, mas bem funcional: cada tecla ligava uma fita cassete que tinha o sampler gravado do que se desejava tocar ( violinos, vozes, enfim ). Esta fita cassete não tinha fim, pois era “loopada” no próprio cassete. É como se faz hoje, só que através de softwares e não através de fitas cassete. Grupos como Genesis, Black Sabbath, Pink Floyd e outros usaram o Mellotron para gravações.

Este armário branco é o Mellotron, teve seu auge na década de 70 com os grupos de Rock progressivo também. Hoje esta sendo fabricado novamente para colecionadores.
Clique aqui e ouça o som do Mellotron
New Wave e o revolucionário DX7
Este nome trás pranto e ranger de dentes há muitas pessoas. A New Wave foi a “moda” dos anos 80, onde mulheres se maquiavam com toneladas de pó colorido e homens usavam cabelos tosados como Poodles. Era época de RPM, Human League, The Police e outros grande nomes POP-NEW-WAVE.
Mas nada disto seria possível sem os nossos amigos sintetizadores. E novamente eles estavam lá, fazendo diferença. Desta vez a bola era da YAMAHA. Ela mudou um pouco daquela história de filtros e osciladores do Sr Moog e preferiu usar uma tecnologia um pouco diferente em seu DX7. As ondas elétricas do MOOG foram substituídas por pequenos samplers digitais. Depois eles eram processados por algoritmos (calma, calma, é só pra explicar, não precisa aprender isso não). Assim você podia mudar os timbres apenas apertando um botão, muito diferente dos antigos MOOGs que você precisava mexer em mais de 10 botões para editar um simples timbre. O som também era diferente do MOOG, era mais suave, digital, era mais atmosférico. Junto com o DX7, outros sintetizadores digitais apareceram no mercado. Era o fim da era ANALÒGICA e início da era DIGITAL. Roland, Korg, Oberhein e outras marcas competiam e criavam a cada dia, teclados mais sofisticados e mais caros. Então foi necessário dar um jeito na bagunça. Através da interface MIDI, todos os teclados podiam conversar entre si, mesmo sendo de marcas e gerações diferentes. Este protocolo se chama GENERAL MIDI. Até aí, os teclados eram MIDI, mas não eram 100% compatíveis entre si. Se você compusesse uma música num D-20 da Roland e tentasse tocar num M1 da Korg a música não sairia igual. Depois da criação do banco GM (General Midi) isso mudou.
Junto com os sintetizadores DIGITAIS também surgiram as baterias eletrônicas e os seqüenciadores. Eles por vezes vinham dentro do próprio teclado ( D-20, D-50 da Roland, M1 da Korg ) ou em módulos separados. Através dos seqüenciadores você podia criar linhas de bateria, baixo, teclados e sair gravando um disco inteiro. Muitos artistas pop dos anos 80 produziram seus discos assim. A bateria era descaradamente seqüenciada e todas as linhas de baixo digitais. Sobrava apenas a voz do intérprete e raras vezes uma guitarra para dar uma cara ROCK à música. Foi realmente uma época ruim para nossos ouvidos.

O DX7 foi o precursor dos sintetizadores digitais. Com ele os comandos e efeitos em tempo real foram substituídos por algoritmos e samplers em FM. Seu som e seu funcionamento diferenciado até hoje atrai fans de música pop e eletrônica.
Clique aqui e ouça o som do DX7
Workstations e comando análogos: visitando velhos amigos
Eu era da turma do “não gosto”. Eu detestava o som do MOOG, franzia a testa ao ouvir o Mellotron, mas percebi que eles fazem parte de um outro contexto musical: o experimentalismo. Na década de 70 o MOOG representou a possibilidade quase infinita de geração de timbres, efeitos e loucuras que músicos como Roger Waters (Pink Floyd) ou Rick Wakeman precisavam. Mas com o tempo tudo isso ficou obsoleto e novas tecnologias foram criadas. O que ninguém esperava é que depois de três décadas o MOOG estivesse tão vivo como na década de 70. Empresas como Roland e Korg já voltaram a lançar sintetizadores com controles de filtros e osciladores em tempo real, como nos velhos teclados do sr Robert Moog. Com novas tecnologias apontando, criaram-se teclados análago-digitais, que somam todas as qualidades dos antigos MOOGs e toda a qualidade timbral dos novos Korg e Roland.

O Triton da Korg é um dos “monstros” da empresa. O modelo Triton studio possui seqüenciador e saída para HD SCSI.
Clique aqui e ouça o som do TRITON
... e todos viveram felizes...
Foi uma longa história realmente, e espero que tenha sido proveitosa para vocês tanto quanto foi para mim. Conhecer profundamente o instrumento que queremos aprender é um dos passos mais importantes para o desenvolvimento musical. Procure não somente aprender música, tente também conhecer seu instrumento pois assim vocês serão grandes amigos!!!
Valeu!!!!!Até a próxima pessoal!!!!
BIO:

Alexandre Rosa é músico profissional e professor desde 1997. Estudou na ULM (Centro de estudos musicais Tom Jobim) e hoje além de professor é produtor musical e trabalha em seu home studio.
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