Sete milhas de poeira e de silêncio O Sol se pondo atrás do monte, a despedir Deixamos Jerusalém num contratempo Sem saber direito para onde ir A esperança era um corpo no sepulcro A profecia, um sonho que falhou Caminhávamos perdidos no entulho Do profeta que o templo derrubou Foi aí que um estranho se achegou Passo leve, perguntando o porquê Dessa angústia que no rosto se pintou Desse pranto que ninguém sabe esconder Você não soube do que houve na cidade? O profeta que o sistema condenou? Ele olhou pra nós com tal serenidade Que o cansaço, de repente, se abrandou Mas o coração ardia Enquanto ele explicava o que o mestre dizia O meu coração ardia Vendo o destino nas letras da antiga profecia Era fogo manso, com os pés no chão Preparando a mesa pro partir do pão Ele nos falava sobre a lei e os profetas Disse que o Messias tinha que sofrer Que pra comprar de vez a nossa eternidade O Eterno se fez padecer E a estrada que era longa se fez curta E a noite que chegava trouxe paz Fica com a gente, o dia já se furta Entra em casa e não nos deixe nunca mais Mas o coração ardia Enquanto ele explicava o que o mestre dizia O meu coração ardia Vendo o destino nas letras da antiga profecia Era fogo manso, com os pés no chão Preparando a mesa pro partir do pão Sentou-se à mesa, o convidado virou dono Tomou o pão, e dando graças o partiu Naquele instante, despertamos do abandono A janela dos meus olhos se abriu! Ele sumiu... Mas deixou o rastro aceso Não procurem entre os mortos o que vive Meu Jesus, o Cristo, o pão da vida, ressurgiu! Mas o coração ardia Enquanto o mestre explicava o que ele dizia Nosso coração ardia Vendo o destino nas letras da antiga profecia O coração ardia Enquanto o mestre explicava o que ele mesmo dizia (Não queimava o nosso coração?) Nosso coração ardia Vendo o destino nas letras da antiga profecia (Era tudo sobre ele) Era fogo manso, com os pés no chão Ele está vivo no partir do pão Voltamos correndo pela mesma estrada Mas já não era noite, era alvorada