Malungos

Akins Kintê

Porque povo somos nós
E não somos o invés
Solto à sorte estamos a sós
Juntando quaisquer réis
Alvo assim dos playboys
No pulso seus anéis
Preso nossos pés
Embargada nossa voz

Acredito no invés
Nós assim por nós
Unindo forças através
E não ser isca de anzóis
De pálidas cascavéis
Pra gente outros faróis
Livre albatroz
Remo firme dos batéis

E nós assim por nós
E já foi invés
Um tempo triste e atroz
Embaixo do convés
Maldade assim veloz
De milhão foi mais de dez
Pro prazer dos coronéis
Pra fome do feroz

Prefiro o invés
Nós assim por nós
Massacrando os cruéis
Defendendo os avós
Pra não ter revés
O segredo dos ebós
Bagunçando o algoz
Confundindo os infiéis
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Se assim nós por nós
Não seremos invés
Arriba dos bemóis
Sem limite os decibéis
Embaixo dos lençóis
Eternizando os cordéis
Outro rumo pros papéis
Na manhã dos arrebóis

E não ser o invés
Nós assim por nós
Desbravando as marés
Na boca dessa foz
Outro rumo pras galés
Atitude muita e após
Como foram meus heróis
Olhar firme e não viés

É pra nós que é de nós
Não alimentar o invés
Nos corações paióis
Nos desesperos pontapés
Brotar na gente sóis
Enche de riso os tonéis
Saber quem tu és
É saber quem somos nós
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