Desde o meu nascimento, um mundo de escuridão Amarrado às correntes, na mesma posição Com outros iguais, a parede à frente é o meu lar E atrás de nós, uma fogueira, a chama a crepitar Vultos se movem no muro, sombras de ilusão De objetos e pessoas, sem real distinção Ecos de vozes, um teatro de faz de conta Que a mente aprisionada, como real aponta Nunca vi o Sol, nem o céu azul sem fim Acreditava nas sombras, pois era tudo pra mim Oh, caverna, morada da ignorância e do engano Aonde a verdade se esconde, em um jogo profano As sombras dançam, a ilusão nos prende ao chão Confundindo o reflexo com a pura razão Mas há um caminho, uma luz a queimar Que quebra as correntes, e nos faz enxergar Um dia, um choque, a corrente se quebrou Com dor e com medo, meu corpo se levantou Voltei-me para trás, e a fogueira me queimou A luz ofuscante, a dor me paralisou Mas fui puxado para fora, por uma mão invisível Pelo caminho íngreme, o esforço terrível Aos poucos meus olhos se abriram para o além Vi as cores, a forma, o real, o bem A princípio, a dor, o brilho a me cegar Mas depois a beleza, comecei a enxergar O Sol, as árvores, o céu vasto e puro O mundo real, que vivia no escuro Oh, caverna, morada da ignorância e do engano Aonde a verdade se esconde, em um jogo profano As sombras dançam, a ilusão nos prende ao chão Confundindo o reflexo com a pura razão Mas há um caminho, uma luz a queimar Que quebra as correntes, e nos faz enxergar Com a alma iluminada, e o coração a pulsar Decidi descer de novo, para os meus libertar Voltei à escuridão, a luz me fez cegar E as sombras da parede não pude mais mirar Contei a verdade, do mundo que existe lá fora Das formas perfeitas, da aurora que se explora Mas riram de mim, me chamaram de louco Preferiam as sombras, e o mundo em pouco E se eu insistisse e tentassem me matar? Por mostrar a realidade, sem sequer hesitar A filosofia é a luz que nos guia ao saber A quebra das correntes, o desejo de ver Sair da caverna é o destino do ser Buscar a verdade, e a luz acolher Mesmo que o caminho seja árduo e doloroso É melhor ver o mundo, que viver um repouso Na ignorância eterna, na prisão sem fim Entre meras sombras, sem ver o que há em mim