A rua sangra desde Caim e Abel
Irmão matar irmão não é novidade aqui debaixo do céu
A vida segue mais amarga que fel, somos réus
A massa não enxerga nada além de um véu
Dizem que o mundo é mal, não viram um terço
Suplicam por salvação, fazem orações, rezam terços
Homens abandonam suas crianças no berço
Quais serão as consequências? Quem vai pagar o preço?
O mal nos corações habita, o velho homem em nós ainda
respira
Humanidade caída, de Deus inimiga, a morte insiste em
vencer a vida
Coração vil, corrupto, incrédulo, engana
O mesmo que odeia é o coração que ama
Amor mesquinho, egoísta, hipócrita, político
Amamos a quem nos ama, morte aos inimigos
Mais cifrões, menos valores, eis o drama
Egos matam por poder, movidos por ganância
Mas e se houvesse amor, se de fato houvesse Amor
Semearíamos mais vida, podaríamos a dor
Onde estaria o opressor, o ódio, o rancor?
Vocês não seriam o que são, eu não seria o que sou
Contemplaríamos todos os dias a morte do ego
Não haveria mais lugar para omissão e pro desprezo
Muitos querem o céu! Muitos querem é se eximir
Contraditório olhar pro alto e se esquecer de quem vive
aqui
Atores de um teatro de amores encenados
Bastidores não ocultam dores dos dissimulados
Na era digital o amor artificial
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