Paranoia

Bel Aurora

Composição de: Isabel Chaib Moreau
Escombro alaranjado
Cobre áureo inócuo rosáceo
Roubado de um sonho irrisório
Vínculo infestado de zinco

Encorpado nos trincos formado de couro
Coroado no tempo pro passado ilusório
Como ontem eu ouvia tua valsa
E sentia na tua imagem parceria

E o contrato que eu não atendia
Não assinava e nem você, nem você, conseguia
Você queria a calmaria, desejo que eu não entendia
Não escutava, só limitava sentidos

Versos perdidos em brandas alegrias
Que só passam quando vencidas em histórias
Da carne presa ao mar
Numa parte que se perde em tom de alga

Outra parte que se seca enquanto salga
Outro dia procurava outra sorte que me prendesse à tua voz
Mas eu não vou render-me a trégua
À luz da tua fábula, tua pálpebra comedida

Tua falsa companhia, tua feroz mordida
Tua razão mentira
Dispare sensação que desperta
Inverdades em saborosa neurose

Aferra-me os dentes e me seca
Essa realidade descoberta
Que remaquina ontem
Você vai, você vai, você vai, aonde

Tanto faz, tanto faz, tanto faz, se esconde
Você vai, você vai, você vai: Me conte
Tanto faz, tanto faz, tanto faz, me esconde
E distrai e distrai e distrai, aos montes

Me distrai me distrai me distrai, se esconde
Dispare lástima
Sequestra meu raciocínio
Contorna o caminho lógico

Arrasta o corpo sobre os ombros
Range em meus nervos que gastam
Como se só houvesse lágrima
Mácula

Fossa
Rebarba
Infecunda
Inexata

Mágoa
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