Dizem que o chão de Caprieira É feito de espera e de signo Onde o tempo não cura Só marca o que o destino traçou Eu nasci sob o frio dessa terra Buscando um desígnio Mas saí antes que o sol revelasse O que em mim se quebrou Deixei a herança pros outros Abri mão do meu porto Mas o passo que avança Carrega o que o peito perdeu Quem sai de Caprieira Nunca sai totalmente morto Leva o peso da sombra De tudo o que não esqueceu Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira) Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado) Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira) Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado) Havia um silêncio de arame Cercando o meu dia E um não que ecoou Como um raio no teto de alguém Vi a luz se apagar Na janela da minha agonia E os olhos dos outros Negando o que a gente contém Virei o vizinho sem rosto O fantasma da estrada Um sobrevivente sem cor Sem lugar, sem sinal Parti na calada da noite Com a alma pesada Fugindo de um tempo que é Por si só, um ritual Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira) Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado) Saí, de noite, de Caprieira (noite de Caprieira) Saí, de noite, de coração amargurado (dê coração amargurado