Na passarela, o povo passava E Olga na banca, só observava Um olho no troco, outro na sombrinha Cinco reais! Ecoava a rainha! Vendia boné, vendia brinco E me ensinava a soltar o grito Fala alto, menino! Tem que chamar! Aprendi com ela a me apresentar! Hô Olga, nessa passarela passou tudo Menos a saudade sua que não passa Você me fez forte sem pedir desgraça Na feira da vida, foi minha lição Você me ensinou a ter coração Hô Olga, com chuva ou com Sol Você era brisa e também era farol Se não tem troco, vai no cobrador E eu corria feito aprendiz do amor Quando o céu nublava devagar A gente sorria, ia chover pra faturar! E quando o céu nublava devagar A gente sorria, ia chover pra faturar! Sentada firme em sua bicicleta Rosto sereno, alma completa Freguês chegava, pedia um preço E ela dizia com aquele apreço Cinco no brinco, dez no boné Mas se levar dois, eu faço como é! Eu via ali mais que uma patroa Era minha mestra, mulher boa à toa Hô Olga, você está no meu som Saudade sua é canção! Que canta na rua, que mora no chão Das minhas primeiras tentativas de ser Você foi presente sem me fazer sofrer Torcia pra chover e o povo correr Pra comprar sombrinha e a gente vender Torcia pra chover e o povo correr Pra comprar sombrinha e a gente vender Hô Olga, sua voz ficou Nos ônibus indo, nos gritos que dou Sombrinha cinco reais! Ainda ouço soar Na curva da vida, você vai estar Sombrinha cinco reais Hô Olga, quando me viu de uniforme Dê contrato na mão Fiquei com o coração Dividido no vão Mas você sorriu, não cobrou despedida Me deu um abraço, me abençoou na partida Hô Olga, te canto com fé e calor Na rua ou no além, você tem valor Vendeu bijuteria, vendeu dignidade Foi minha madrinha de verdade Hô Olga Na passarela ficou teu cheiro E em mim, teu amor verdadeiro E em mim, teu amor verdadeiro