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George Michael ajudou a tirar o mundo pop da mesmice

Muitos músicos e fãs lamentaram a morte repentina de George Michael neste domingo de Natal, com apenas 53 anos (veja aqui). Tantos tributos são justificados pela marca que o cantor cravou na universo pop. Mesmo há algum tempo sem lançar hits avassaladores, o cantor sempre é lembrado pela sua irreverência e pioneirismo no mundo da música.

Em épocas de MTV, George Michael foi, ao lado de Madonna, um dos nomes mais fortes da categoria.

Fora os inúmeros hits lançados entre o fim dos anos 80 e começo da década de 90 – daquelas músicas que tinham o poder de grudar na cabeça que nem chiclete, mas sem o contexto irritante da coisa (feito cada vez mais raro, diga-se de passagem).

Os primeiros 10 segundos dessa música já ajudam a entender o que estamos falando:

 

O clipe mais memorável do cantor é “Freedom 90” – que, de tão importante, é considerado um marco no mundo musical. O vídeo é considerado um divisor de águas, o primeiro grande clipe dos anos 90. Quem não se lembra de ver Linda Evangelista, Naomi Campbel e Cindy Crawford exuberantes no vídeo de fundo azul?

Mas a câmera também gostava de George Michael. Sua postura de “galã sexy”, uma mistura de Elvis Presley do pop com James Dean, não deixava nem que as maiores top models da época ofuscassem seu brilho.

É importante voltar alguns anos para entender o pioneirismo de George Michael no pop. Os mais novos podem não saber, mas George Michael saiu de um duo pop, o Wham!, que fez muito sucesso nos anos 80 – quando as primeiras boybands começavam a despontar.

O duo era formado por George Michael e Andrew Ridgeley. George Michael assumia boa parte das funções, de produtor a compositor – além de ídolo, o próprio era a grande mente brilhante por trás do sucesso do Wham!.

Ou seja: George Michael foi um dos primeiros cantores saídos de grupos pop a se arriscar em uma carreira solo, tão consolidada que chegou até a ofuscar o seu sucesso no projeto anterior.

O pioneirismo do cantor diz respeito até à sua vida pessoal. Depois de um escândalo envolvendo cenas de sexo explícito com um homem nas ruas de Nova York, George Michael veio a público assumir sua homossexualidade. Vale dizer que isso aconteceu em 1994 – as leis homofóbicas dos Estados Unidos o acusaram de atentado violento ao pudor.

A essa altura George Michael já era símbolo sexual, desejado por dez entre dez mulheres. Imagine só o escândalo: uma forte figura masculina assumindo sua homossexualidade em um mundo que ainda era homofóbico, mesmo no universo pop?

As chances de George Michael  perder contratos e publicidade por assumir publicamente sua orientação sexual era imensa (isso bem antes de Rick Martin também se assumir).

Mesmo assim, o cantor foi em frente e não perdeu seu prestígio no mundo pop – pelo contrário, a comunidade LGBT, que já o tinha como “muso” (e quem não tinha?) abraçou ainda mais o ídolo como ícone sexual e representante de um movimento.

 

Tanto que, mais de duas décadas depois, Miley Cyrus relembrou a sua importância e dedicação à luta dos homossexuais. Um novo nome do pop reconhecendo o pioneirismo de um ídolo.

Depois de quebrar tantos conceitos pré-fabricados no universo pop, é inegável que a morte de George Michael é uma perda simbólica e irreparável no mundo da música. Mas, ainda bem, nós podemos celebrá-lo por meio dos seus hits.

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