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Marcelo Camelo fala sobre novo disco, referências musicais e mais

Capa do DVD "Mormaço"

O músico e compositor Marcelo Camelo está de volta com os CD e DVD “Mormaço”. O material que deu origem ao projeto foi registrado em setembro de 2012, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre.

Nesta nova empreitada, além de apresentar algumas canções inéditas, Camelo revista músicas dos tempos de Los Hermanos e composições dos discos solo “Toque Dela” (2011) e “Sou” (2008). Como não poderia ser diferente, o trabalho propõe ao ouvinte um mergulho intenso em canções poéticas que tratam de questões afetivas, pessoais e existenciais.

Apesar de contar com as participações de Mallu Magalhães e do músico suíço Thomas Rohrer, que tocou rabeca, “Mormaço”, basicamente foi concebido no formato voz/violão. Por mais intimista que esta combinação possa parecer, a sintonia que o artista estabelece para com seu público faz do show um dos espetáculos mais sinceros e emocionantes da música nacional.

Em um bate-papo com o Cifra Club News, Camelo falou sobre processos que envolvem a concepção de sua obra mais recente.

1- O concerto que deu origem ao projeto “Mormaço” vem acompanhado do filme “Dama da Noite”, que foi registrado com o charme inconfundível das películas de 8 e 16 milímetros. Os seus fãs podem esperar mais obras neste estilo ou o seu mergulho cinematográfico vai ficando por aqui?

Marcelo Camelo: eu gosto da linguagem, tenho uma câmera bolex de 16mm e já venho filmando há um bom tempo. Também me interesso por fotografia. Eu não sei por onde vai andar a minha expressão na prática mas eu gosto de pensar que tenho essas possibilidades como aliadas da minha vontade.

2- A inédita “Porta de Cinema” é uma composição de seu avô, Luiz Souza. Como surgiu a ideia de abrir o baú de canções do “Senhor Souza”?

Marcelo Camelo: As músicas do meu avô são bem presentes na minha vida. Eu achei que esse show era uma oportunidade boa de tocar uma delas, já que é um show intimista, sobre esse universo mais próximo.

3 – Você pretende gravar mais material de terceiros daqui por diante ou continuará focado nos registros autorais?

Marcelo Camelo:o que eu mais gosto de fazer é compor. Acho que os meus discos principais vão ser sempre sobre as músicas que compus naquele período. Aliás todos os outros aspectos da vida profissional vem no lastro desse motivo que é o que me impulsiona verdadeiramente.


4- Há planos para uma turnê de divulgação de “Mormaço”?

Marcelo Camelo: não. Na realidade eu fiz tudo ao contrário do que se deveria fazer, que é lançar um DVD pra que ele ocupe esse espaço do show e eu não precise fazer isso por um tempo. Agora vou tentar me afastar de tudo pra poder compor um disco novo.

5- Na condição de artista multifacetado, você já transitou por terrenos como MPB, hardcore, pop rock e cena alternativa. Em “Mormaço”, o público tem em mãos um registro de uma faceta mais intimista. Quase um “voz e violão”. Diante desta pluralidade artística, em que lugar você acha que se encaixa no atual momento da música brasileira?

Marcelo Camelo: eu me coloco entre os insistentes. Tem uma diversão nessa obstinação, de aprender outros instrumentos, outras linguagens. Mas eu acho que o estudo mesmo do artista é o estudo dos sentidos. Eu trabalho os sentidos. E aí tem uma coisa de impor a ele ou se deixar levar, tem a alternância ou a continuidade, tem umas diferenças de modo que modificam também a direção das coisas. Não me importo muito com a contextualização disso. Tento fazer uma coisa que esteja fora do mundo da história e inserida no mundo de 6 bilhões de anos. A história muda muito rápido e resignifica as coisas numa virada de esquina. Eu prefiro tentar estar entre as outras coisas.

 

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