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Mulheres se engajam para fomentar o empoderamento feminino na música

Empoderar através da música desde cedo: essa é a missão do Girls Rock Camp (Foto: Reprodução)

Mesmo em 2017, em pleno século XXI, o machismo ainda é recorrente nos mais variados meios. E, na música, não é diferente. Basta pensar nas bandas mais famosas de rock: quantas são formadas por ao menos uma garota? Se falarmos em uma formação composta só por meninas, é ainda mais difícil. As palavras baixista, baterista e guitarrista, mesmo sendo termos comuns aos dois gêneros, são muito mais usados para se referir a homens do que a mulheres. Mas muitas minas que se interessam por música estão tentando mudar essa realidade.

Na verdade, não é que hajam poucas mulheres na música: elas existem em grande quantidade (bem menor que a dos homens, sim, mas ainda relevante). O problema é que muitas delas não expõem seu trabalho ao público. Os motivos podem ser vários: seja por insegurança ou por falta de incentivo da própria cena, que ainda é machista ao considerar a mulher apenas como a “groupie” (eternamente na posição de fã e nunca de artista), ou por julgar a mulher “sensível demais” para aguentar a pressão ou até mesmo “incapaz” – incapaz não só de tocar, mas de produzir um som, ou controlar uma mesa de áudio. Infelizmente, não vemos muitas mulheres nessas posições.

Mas um grupo de garotas de diferentes locais do Brasil estão se unindo em ações variadas, que geram um mesmo resultado: trazer mais mulheres para o mundo da música. Como exemplo, temos o Girls Rock Camp, o selo PWR Records e as diversas oficinas e concursos espalhados ao redor do país, que visam reconhecer e exaltar o trabalho de mulheres na música.

Só em Belo Horizonte, há dois projetos de destaque para fomentar a música feita por mulheres: o “Mulheres Criando“, mostra organizado pelo coletivo de mesmo nome, que visa ampliar o reconhecimento das compositoras na capital; e também o “Sonora“, festival internacional que teve sua versão brasileira criada, ao mesmo tempo, em BH, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, graças ao esforço de produtoras e artistas que desejavam criar um festival que fosse encabeçado por mulheres. Tanto esforço compensou: só em 2016, o festival se espalhou para outras 21 cidades e 6 países.

Amorina, que tem um projeto solo que leva seu nome e faz parte tanto do “Sonora” quanto do “Mulheres Criando”, bateu na tecla da falta de representatividade das meninas na música: “A nossa geração não teve muitas referências de instrumentistas. Agora, com esses movimentos, as meninas mais novas já nos veem como referência. Nós reivindicamos por mais espaço na cena, para tocarmos como mulheres, e para que, num futuro próximo, possa haver uma igualdade de espaço na música, para todos os gêneros“, afirma.

You go, girl!

Hannah e Letícia, do selo PWR Records (Foto: Facebook)

Outro bom exemplo é o PWR Records, selo idealizado por Hannah Carvalho e Letícia Thomas. As duas amigas, de apenas 20 anos, estão inseridas na cena da cidade de Recife, e sentiram que podiam fazer mais pela representatividade da mulher da música – justamente por não verem tantas meninas tocando ou como produtoras musicais.

As duas começaram a botar a mão na massa e encabeçaram uma pesquisa para sondar as bandas femininas que atuam no cenário independente nacional. Em uma planilha compartilhada, Hannah e Letícia pediram para que as bandas de mulheres preenchessem o arquivo. O resultado foi surpreendente: 310 bandas com ao menos uma integrante feminina foram inscritas. É um resultado grande, que prova justamente o apagamento de muitas dessas bandas na cena. “Porém, ainda é um número pequeno diante da grandeza de uma cena cada vez mais extensa e plural”, garantem as idealizadoras do selo.

“Vemos o palco como espaço de luta e queremos torná-lo cada vez mais confortável, para todas poderem criar. Ou seja, sair lugar de contemplação e ocupar o lugar de produtoras e autoras, usando a música para expressar suas questões atreladas ao gênero”, diz o manifesto do selo, que visa incentivar as criações femininas na música ao redor do país, por meio de jams educativas e lançamento de álbuns produzidos por mulheres.

Além de lançar, distribuir e ajudar na produção de material, fazer assessoria e agendamento de shows, o selo promove ações que trabalha o empoderamento feminino e a auto-estima por meio da música. Para completar, o selo também promove a Jam das Minas, com convidadas que interagem com o público e incentivam a participação de qualquer garota na apresentação.

As jams funcionam como um trabalho de base, para incentivar as meninas a tocarem fora do quarto de casa. Outro projeto que pensa na formação de base das garotas na música é o Girls Rock Camp. Ao invés de ensiná-las a ser como “princesas”, como pregam alguns cursos de férias por aí, no Girls Rock Camp, elas trocam os vestidinhos de princesa e a coroa por guitarras, baquetas e microfone.

O projeto veio de fora e funcionou tão bem no Brasil que já se espalha para outras cidades pelo país.

Célia com sua equipe de meninas no Girls Rock Camp: aprendizado mútuo (Foto: Facebook)

Mulheres envolvidas no cenário musical se inscrevem anualmente para poder atuar no Girls Rock Camp, seja como instrutoras de instrumentos ou para dar oficinas sobre socialização e fortalecimento da autoestima. Célia Regina é guitarrista da banda Miêta (que tem a base de formação composta por mulheres) e comentou a sua experiência como instrutora de guitarra e produtora no projeto: “É esperançoso ver que uma nova geração já tá vindo com tudo, já tem informação necessária pra rebater o machismo e para se empoderar. Às vezes nós, voluntárias, paramos pra refletir como seria tudo hoje se tivéssemos vivido esse camp no passado e sempre chegamos à conclusão de que essa experiência já é forte o bastante pra mudar o curso das coisas”, explica Célia.

“É de arrepiar ver a transformação que acontece em uma semana. As meninas chegam tímidas, desencorajadas, reflexo do machismo que já as atingem desde crianças, e em poucos dias já se soltam, se sentem capazes, se unem e sentem a liberdade de realizar qualquer tarefa, que lugar de mulher é onde ela quiser, sim. Saio de lá com a bateria carregada, querendo levar tudo isso pra vida, me sentindo uma unidade: mulher”, conclui.

Para conhecer:

PWR Records: www.facebook.com/pwrlabel

Girls Rock Camp: facebook.com/girlsrockcampbrasil

Ladies Rock Camp: facebook.com/ladiesrockcampbrasil

Mulheres Criando:  facebook.com/mulherescriando

O Sonora está com inscrições abertas: sonorafestival.com

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