Por onde eu começo?
Já tive tantas vidas que perdi a conta
A cada partida uma vinda nova
A cada nova vinda uma nova vida
Sempre num meio inverso
Vertendo aversão a pobreza nos versos
Querem ser versáteis mas lhe faltam verbos
Acham que a verba é tudo no universo
Mano o mundo é um jogo
E ceis tão alimentando o lobo
Cegos mil cordeiros bobos
Direto pro matadouro
Caminhando para a luz
Nem tudo que reluz é ouro
Quando vê é ouro de tolo
No fim de nada valeu o jogo
Ceis tão pronto, pro fim do mundo?
Entre joio e trigo, entre o limpo o sujo
Ceis vão rir ou chorar mudo?
As almas rasas, sofrem fundo
E no meio disso tudo
Qual foi seu lado e discurso?
Porque o mundo não é como devia?
Porque as coisas não são como nóis queria?
A cada inverno as tardes ficam mais frias
E nesse inferno as pessoas mais vazias
Falta tempo mesmo tendo
Faltam sonhos nos seus sonos
Sobra raiva em seus peitos
E essa raiva os consome
E a salvação vira da onde?
Vi uma luz no horizonte
Página 1 / 3Será que hoje somos alguém melhor que fomos ontem?
Tolos isolados e as mentes
Com as portas fechadas
Afogados, paralisados
Enquanto invadem suas casas
É isso que eles querem
Nos manter sem saber nada
Nos deixando para acordar
Após roubar nossas almas
Acordado em meus sonhos
Conversei com meus demônios
Abraçando meus defeitos
Me tornei o presente
Tudo que somos ou fomos
Tudo que ainda seremos
Após quebrar os pilares
Seremos diferentes
Às vezes o tal do controle
Não passa de uma ilusão
Às vezes a tal ilusão
É o que mantém o controle
As vezes não vemos o mundo
Da forma como ele é
E sim queremos o mundo
Da forma que nós somos
Eles querem a lei do ferro
Porque quem tem ferro fere
Lembra, quem com ferro fere
Com ferro será ferido
Me diz quem é que confere
Qual lado sai mais ferido
No fim de nada diferente
Nóis tamo tudo fodido
Cada qual tem sua herança
Nos herdamos heresias
Contra quem crê nos herdeiros
Página 2 / 3De pais da hipocrisia
Recebei os visitantes
Que ao ver a ignorância
Só levaram um instante
Pra querer manter distância
Eu pensei por um instante
Porque os livros da estante
Parecem estar tão distantes
Com a tecnologia
Então o senhor visitante
De uma forma intrigante
Revelou o que eu já sabia
É isso que eles queriam
Acordado em meus sonhos
Conversei com meus demônios
Abraçando meus defeitos
Me tornei o presente
Tudo que somos ou fomos
Tudo que ainda seremos
Após quebrar os pilares
Seremos diferentes
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