Escuta, mas não com os ouvidos Escuta com os poros da pele Sentes esse formigueiro na base do crânio? É a tua mente a desapertar os parafusos Não resistas Deixa que os teus pensamentos se transformem em areia fina E vê como o vento os sopra para longe Já não és uma pessoa És um padrão Uma vibração Um erro magnífico no sistema Olha para as tuas mãos vês como elas deixam rastos de luz quando as moves? É o tempo a dobrar-se, a querer tocar-te Não penses no eu O eu é uma gaiola de vidro que acabou de estilhaçar Agora, tu és o reflexo em cada caco És o silêncio entre as notas Derrete-te Mergulha no centro do teu próprio olho Lá no fundo, onde a escuridão brilha vais encontrar o que sempre estiveste à procura Nada E nesse nada Tens tudo Fecha os olhos E vê o nada