Sinto saudade de ver o meu pai e casa grande onde fui
criado
Mangueira e galpão na sombra da figueira e meu avo lidando
com gado
A passarada na mata cantando o alvorecer nas madrugadas
frias
Minha avó varrendo o terreiro e minha mãe em nossa
companhia
Do coaxar do sapo da noite das rãs
Do sino do grilo da voz dos tarãs
Do cantar do galo e dos pirilampos
Que ilumina os campos do meu camaquã.
Sinto saudade do rosilho velho que puxava o faite pra gente
passear
O cachorro campeiro que buscava as vacas e os bois de canga
pra gente lavrar
A criação rondava o terreiro os causos antigos que o vovô
contava
O doce de leite que a vovó fazia e as lavouras que o papai
plantava
Do coaxar do sapo da noite...
Sinto saudade dos banhos de açude e do mato onde nós caçava
Onde a gente armava arapuca e o arroio onde nós pescava
O gado pastando na fralda da várzea os quero-quero o campo
revoando
As caturritas enfeitavam os pinheiros e as araquãs no mato
cantando
Do coaxar do sapo da noite...
Sinto saudade até da professora da escolinha que eu
estudava
Página 1 / 2Dos meus amigos filhos dos vizinhos la das coxilhas onde eu
morava
Estas lembranças me invade a alma a emoção se torna tamanha
Que só compreende quem viveu na lida assim como eu criado
na campanha
Do coaxar do sapo da noite ...
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