Pés na areia, deixo o mar me tocar Na varanda de madeira eu paro pra respirar Minha prancha ainda guarda a última queda Me lembrando que a vida ensina na beira O som das ondas chama sem dizer meu nome E o fim da tarde colore o horizonte Na cadeira de balanço eu deixo o tempo passar E a maresia invade tudo, me ensina a acalmar E eu me deixo ir Sem saber onde vai dar No balanço do mar eu vou Sem medo, sem direção Entre o vento e o Sol Eu escuto meu coração Se a vida é ir e voltar Eu aprendi a fluir No vai e vem das ondas Eu aprendi a existir Durmo com a brisa dançando no rosto Acordo com o Sol me chamando de novo Pego minha prancha e sigo pro mar Porque é nas ondas que eu sei me encontrar O mar se levanta, eu mergulho sem pressa E lá no fundo algo me atravessa Uma sereia de olhar profundo Toca meu rosto e silencia o mundo E eu volto à superfície Com um som dentro de mim No balanço do mar eu vou Sem medo, sem direção Entre o vento e o Sol Eu escuto meu coração Se a vida é ir e voltar Eu aprendi a fluir No vai e vem das ondas Eu aprendi a existir E no som do meu violão Eu me perco na imensidão Dreads soltos ao vento Levando embora o pensamento Deitado ao lado da prancha Minha companheira fiel O mar canta baixinho E me conecta ao céu No balanço das ondas eu vou E já não preciso de mais Porque no ritmo do mar Eu encontrei minha paz