Como pode algo tão intenso assim Virar silêncio de repente, enfim? Era cor, era pulso, era direção E da noite pro dia, virou só ausência na mão Sentimentos que pareciam tão reais Hoje são só rastros que não voltam mais E eu fico aqui tentando entender Em que momento deixou de ser Talvez não seja sobre acabar Mas sobre quando começou a faltar Porque o vazio não mente Ele só permanece O oposto do amor talvez Nem seja o ódio, é o desprezo que cresce É quando nada mais toca Quando tudo tanto faz E o que antes era tudo Hoje já não é mais Tudo que antes fazia sentido Hoje parece um som distorcido Como se nunca tivesse existido Ou só tivesse sido inventado por mim E o mais estranho é perceber Que nem chega a doer como deveria doer Só sobra esse nada ocupando o lugar Que um dia alguém quis chamar de lar E talvez seja isso no fim Não sentir, é pior do que sentir assim Porque o vazio não mente Ele só permanece O oposto do amor talvez Nem seja o ódio, é o desprezo que cresce É quando nada mais toca Quando tudo tanto faz E o que antes era tudo Hoje já não é mais E se o amor for só ilusão Pra esconder o medo da solidão? E quando ele vai embora de vez A gente percebe que sempre foi só, talvez E o vazio continua aqui Silencioso, constante em mim E o que um dia foi verdade Hoje é só ausência de intensidadeE talvez Nunca tenha sido amor