Naquele sertão da mata Na casa que eu morei Era uma casa de taipa Que parte da vida fiquei Bebia água do pote Coada em pano de saco Tirada lá da cacimba Lá da beira do riacho Comia angu com peixe Água pra desentalar Tinha galinha caipira Para almoço e jantar Comida feita na lenha Panela de barro aprontar A cuia de tirar água Servia pra se banhar Com essa simplicidade Vivendo feliz assim Pisamos no chão descalços Sem temer nada ruim São essas coisas da roça Que dá prazer para mim Pilão de pilar arroz Milho pra fazer fubá Roçadeira amolada Para limpar e roçar Aquele pé de pereiro Também um pé de juá Que serviam como sombra Para o trabalhador descansar Lata de carregar água Pra beber e se banhar Cangalha e burro brabo Para montar e arar Cadeira de couro cru Pra sentar e cochilar Espantalho lá na roça Pra passarinho voar Com essa simplicidade Vivendo feliz assim Pisamos no chão descalços Sem temer nada ruim São essas coisas da roça Que dá prazer para mim