Tenho nas mãos um mapa incompleto Linhas que somem no meio do nada Setas que apontam pra todos os lados E nenhuma certeza traçada O vento arrasta poeira e segredos A paisagem me olha sem responder Talvez eu não precise achar o destino Só sentir o que me faz mover Se a rota muda, eu mudo também Se o céu escurece, acendo além O que é caminho, o que é engano Só descubro enquanto estou passando No meu mapa incompleto não existe final Cada curva é um jogo, cada placa é sinal O horizonte se afasta quando penso chegar Mas é no meio da viagem que eu aprendo a estar Ponte quebrada sobre o rio do tempo Placas caídas que o Sol apagou A cada passo o terreno inventa O chão que antes não existiu, brotou Guardo comigo as paisagens partidas As vozes que o vento levou pra longe Talvez a bússola não aponte o norte Talvez o norte mude de nome Se a rota muda, eu mudo também Se o céu escurece, acendo além O que é caminho, o que é engano Só descubro enquanto estou passando No meu mapa incompleto não existe final Cada curva é um jogo, cada placa é sinal O horizonte se afasta quando penso chegar Mas é no meio da viagem que eu aprendo a estar Entre o que sei e o que invento Há um espaço que cabe o mundo Entre a partida e o esquecimento O instante é o mais profundo No meu mapa incompleto não existe final Cada curva é um jogo, cada placa é sinal O horizonte se afasta quando penso chegar Mas é no meio da viagem que eu aprendo a estar E se eu não voltar É porque encontrei Um pedaço do caminho Que só existe quando eu andei