Ah, meu Deus, quanta beleza nesse pedaço de chão Que, para mim, representa a riqueza do sertão O grito de um boiadeiro no meio da invernada E o estouro da boiada Levantando poeira na beira da estrada Eu vejo um canarinho cantando na cumeeira E as penas vermelhas e douradas do sabiá-laranjeira Fez um ninho de graveto lá no mourão da porteira E o balé dos beija-flores Com seu vai e vem no galho da paineira À tarde, vou ao riacho, me banho na cachoeira E as flores brilham no mato, na encosta da pedreira Depois eu volto pra casa, espero a Lua chegar Com o brilho das estrelas Com minha princesa eu vou namorar O dia já vem chegando, o Sol vai aparecer Acordo sorrindo e cantando, vendo o dia amanhecer Na imensidão lá da serra, parece pintada num quadro Feito pelas mãos de Deus Que presente me deu Nos meus olhos está gravado