Meus pagos
Chão por onde vago
Destroços, troços, meus ossos
Tudo, tudo pago
Cada palmo encerra prantos
Palmas, cantos da alma e mais o sal da terra
Sobre a cal dos ossos vastas
Falhas, trens e tralhas gastas
São meus destroços
Minhas cicatrizes, ferro, brasas
E um sangradas asas
Presas nas raízes
Presas nas raízes
Meus pagos
Chão por onde vago
Pedaços, traços, compassos
Tudo, tudo pago
São meus pagos
Passo a perna, cruz
Que é minha fé
E dai-me força aos braços
Sempre quando ajoelho rezo
Um terço pelo bem do berço
Quem minha alma espelho
Sobre a cicatrizes
Grito, vaza no infinito as asas
As vazas livram as raízes
As vazas livram as raízes
Meus pagos
Página 1 / 2Chão por onde vago
Meus cacos, nacos, calados
Tudo, tudo pago
Mesmo eu assim eu vago
Conduzindo em mim
Meu próprio fim
Que é pago
De colmilhos gastos
Não me queixo
Benzo e cantos deixo
Sobre opostos rastros
Sobre as cicatrizes solto a dor
E desamarro as asas
Pra cantar raízes
Pra cantar raízes
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