A noite cai sobre a cidade Luzes acesas fingem normalidade Rostos passam, ninguém quer parar Todo mundo corre pra algum lugar Eu sigo junto, mas fora do tom Sorriso ensaiado, coração em suspensão Tem tanta gente perto de mim Num labirinto que parece não ter fim Conversas vazias, música alta demais Todo mundo vive, todo mundo em paz Mas algo em mim insiste em faltar Como um nome que eu não sei chamar Eu olho em volta tentando entender Como é possível sumir sem desaparecer Quanto mais eu fico, menos eu sou Me perco aos poucos no que sobrou Eu tô aqui, mas não tô de verdade Me vejo longe dentro da própria cidade Quanto mais vozes chamam por mim Mais eu me afasto, mais fico assim Talvez seja eu, talvez seja o tempo Talvez esse vazio seja só sentimento Mas tem noites que eu queria saber Se alguém sentiria se finalmente eu me render Eu não peço muito, nem explicação Basta um olhar que quebre a solidão Algo simples, algo real Pra lembrar que eu ainda sou normal Se eu gritar agora, alguém vai ouvir? Ou minha voz vai morrer antes de existir? O mundo segue, continua a girar E eu sigo parado no mesmo lugar Eu tô aqui, tentando respirar Com tanta gente e nenhum lugar pra ficar E mesmo cercado, sigo só então Carregando o peso dessa contradição E se alguém me chamar pelo nome real Talvez eu fique, talvez seja igual Mas até esse dia chegar ou não Eu sou o silêncio na multidão