Maricô

Gildomar Marinho

Composição de: Gildomar Marinho / Balbino Pacheco
No morro do Pão de Açúcar nosso de cada dia
Uma mulata trazia lata d’água na cabeça
Cozinheira de mão cheia, Maricô o nome dela
Só pode ser terecô o que me leva pra ela
Só pode ser terecô seu surubim de panela

No alto da madrugada, sete batidas na porta
Maricô não se importa, prepara um peixe pra mim
O cheiro já anuncia, tem surubim na panela
Só pode ser terecô o que me leva pra ela
Só pode ser terecô seu surubim de panela

Tempera, tempero, Maricô Terecô

E na Pedreiras de outrora, podia ser um doutor
Estudante ou lavrador, são todos filhos de Deus
Com amor matava a fome do boêmio e do magrela
Só pode ser terecô o que me leva pra ela
Só pode ser terecô seu surubim de panela

E na vitrola, um vinil tocando um samba dolente
Desses que alegra a gente e mata qualquer saudade
E o Buda na estante protegendo a clientela
Só pode ser terecô o que me leva pra ela
Só pode ser terecô seu surubim de panela

Tempera, tempero, Maricô Terecô

Surubim é peixe nobre do meu rico Mearim
Que a mulata preparava com o tempero do amor
Quem conheceu seu sabor não esquece a flor mais bela
Só pode ser terecô o que me leva pra ela
Só pode ser terecô seu surubim de panela

Na poeira das lembranças que essa saudade nos traz
Estes tempos atuais, meros coadjuvantes
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Na memória, Maricô, Mearim e surubim
São atores principais nesse enredo de novela
Só pode ser terecô o que me leva pra ela
Só pode ser terecô seu surubim de panela

Tempera, tempero, Maricô Terecô
Tempera, tempero, Maricô Terecô
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