Ergueu-se cedo e atravessou o dia Calado o passo na calçada Levava com razão a vida ousada E no pensamento a fome que doia Tomou o ônibus cheio a mão vazia Subiu na obra a vista empoeirada Pensou na esposa pálida e cansada E no filho que a noite sorriria Pisou no erro mínimo do instante E o corpo em voo cego e delirante Desfez no ar seu sonho repetido Caiu na rua anônimo e sozinho Virou entrave ao fluxo do caminho Mais um futuro humano interrompido