Dizem que é porto seguro, mas eu vejo o tribunal Sororidade vitrine, contrato unilateral Pisa fora da linha e sente o peso da mão A irmandade acaba onde começa a opinião Vendem união, entregam vigilância Uma mordaça colorida pra manter a elegância Cito Camile Paglia, a verdade é crua Agressividade é nata, tá na pele, tá na rua Muita doçura, mas o clima é claustrofóbico Um desvio no discurso e o tratamento é narcótico Chutam pra baixo do ônibus, sem hesitação Instinto de rebanho em plena operação Não é apoio, é só domesticação Tribalismo fantasiado de virtude e missão Porque o que mais incomoda é a livre expressão Se a minha liberdade atinge sua bolha Prefiro a matilha solitária, é minha escolha Essa matilha escolhida é de uma cadela só Que late sem ser ouvida e logo volta ao pó Porque a vida no mundo é sem motivo, afinal Nascer, crescer e sofrer, só pra morrer no final Bonde da cadela só, latido independente Pensamento livre, o sangue ainda é quente Querem conformidade, só espelho, não pessoa Mas pro questionador a liberdade ecoa A mimese de grupo, o bode expiatório Sacrifica a dissidente, fecha o escritório Palavra dionisíaca sempre tentam abafar Mas a competição não para de pulsar É tribalismo puro, o velho chicote A sororidade morre no primeiro boicote Independência intelectual Não cabe em nicho, não cabe em curral A Camile avisou, eu só vim pra rimar Quem quer ser livre não nasceu pra pastar