O vento que choraminga
Essa calma de neblina
É o mesmo que faz retoço
E maçaroca nas crinas.
Que venta contra arame
Sonando coplas campeiras
Dessas que abrem caminhos
Contra o fechar das porteiras.
Descansam botas e arreios
E as esporas gavionas
Pelegos retovam bancos
Se aquerenciam cambonas.
Mouros de lombos lavados
Rebolcam junto ao potreiro
E a tarde morre tão quieta
Soprando um vento noiteiro.
A noite adormece cedo
No feitiço dos fogões
Que acenderam luzeiros
No interior dos galpões.
Onde o vento força a quincha
Querendo roubar-me o sono
E entoa seu Sarandeio
Na copa dos cinamomos.
Chega tapeando o chapéu
Nos claros da madrugada
Secando o chão da mangueira
E o lombo da cavalhada.
Contraponteando juncais
Se vai quebrando quietudes
Trazendo bordões suaves
Das maretas do açude.
Página 1 / 2Com seus acenos de longe
Os galhos de um tarumã
(Reiúno, rei da invernada)
Vai repontando a manhã.
Parece que traz segredos
Nessa inquietude que ventas.
Pode mandar teus desmandos
Que o Barbicancho sustenta!
Página 2 / 2