Amanhã de manhã vão assinar minha carteira
O sistema já privou o meu dia de sexta-feira
E agora o que restou foi trabalhar a semana inteira
O dia que me sobrou, tô um bagaço e só poeira
Um dia de folga mal dá pra respirar
Tenho coisas pra fazer, tenho casa pra arrumar
Chego em casa tão cansado e já penso em me deitar
No dia seguinte eu tô morto e pronto pra recomeçar
O relógio não espera, ele manda, ele dita
Meu sonho pede tempo, mas a conta grita
Vivo contando horas pra tentar viver
Mas viver mesmo, só quando dá pra ser eu
De domingo a domingo
Quando é que eu sou eu?
Somente um dia na semana
O sistema quem escolheu
Trabalho pra sobreviver
Sobrevivo sem viver
Me roubaram o tempo
E chamaram isso de crescer
Acordo cedo todo dia, mesma cena, mesmo chão
Café frio na garganta, pressa, ônibus lotação
O chefe fala em futuro, meta, produtividade
Mas meu corpo pede calma, pede humanidade
O salário mal respira quando o mês vai começar
Tudo sobe, tudo cobra, menos tempo pra sonhar
Eu não quero ser preguiça nem viver de ilusão
Só queria mais um pouco de vida na minha mão
Não é falta de vontade, nem medo de lutar
É cansaço acumulado que não dá pra explicar
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