(Bendita é o fruto) Me diz quem não quer dinheiro Porque eu também quero Me diz quem não quer sucesso, tio, sair do zero Me diz quem não quer se sentir amado Chegar em casa depois de um dia cansado E ver um sorriso sincero A vitória não teve sabor que eu esperava Porque sozinho eu não vi valor no que conquistava Pouco importa ter um carro foda Se quem eu amo ainda espera o busão lotado no ponto da quebrada Não faz sentido na minha cabeça Elas querem meu corpo, porque eu canto que o corpo delas não é o que mais interessa É claro que fico lisonjeado, gata Mas isso me estressa Estou com pressa Não tenho tempo pra perder Esse ano eu faço 30 e o ponteiro não me deixa esquecer O tanto de gente que eu deixei de salvar porque eu deixei de fazer Por preguiça de sentar e escrever Por arrogância de achar que sou o melhor e não responder É tudo fácil Se eu pedir uma foto dos peitos, ela manda agora Se eu divulgasse a casa de aposta, faço umas notas Se eu apoiar algum partido, eu ganho um cargo foda Mas eu não quero o que é fácil Eu quero o que é certo Por que o que é certo tem que ser sempre tão difícil? Eu tinha um sonho louco quando era mais novo Ficar rico sem que minha alma fosse o sacrifício Eu vi o Sol subir, depois descer Sem ninguém mandar, nem contar o porquê A natureza é incrível Já que a água fura pedra E a flor quebra o concreto Talvez meu sonho nem seja tão impossível O bolso cheio e o coração vazio Cabeça quente e o peito frio Marcas do terceiro mundo Cheiro de pólvora e pavio Lembranças e arrepio O buraco no meu peito é bem mais fundo Agora eu vejo as cordas do fantoche O rosto do deboche Tô frio tipo férias de playboy em Bariloche Inveja é uma avalanche Ainda sou o meu pior inimigo Agora é hora da revanche Cancei de contar corpos e cada cacos Os inocentes se tornam fracos ou acabam mortos Eu me recuso a ser mais um confuso Dividido no dilema entre se eu vendo ou uso Cansei do dinheiro e o abuso Cancei de ser refém do que eu consumo, escravo do que eu produzo Cancei de lutar para me sentir incluso Nessa guerra entre martelos e pregos, eu só me sinto um parafuso A luta era contra a droga e o abuso dos fracos e oprimidos Não, abuso de frascos e comprimidos Hoje, fatos tão distorcidos Agora a cultura é uma luta por atenção, competição de ratos e mendigos Se tu me escuta, tu chapa Se a mente não é lúcida, é tapa Eu escrevo o caminho de amar Assim mesmo isso não é música, é mapa do tesouro Mas te falta coragem, pirata Cachorro de madame só late Tenho marcas no rosto onde o Sol bate Rap não é o meu trabalho, é um resgate Eu só vou sorrir pro jogo no dia que eu tiver patrocínio da Colgate Em outras palavras: Quando eu for pago pra sorrir Caso contrário, sigo fechado por tudo que eu vi, vivi, senti, ouvi, sofri, matei, morri O jogo é sujo e todo mundo é sujo aqui