Diretamente do gueto, onde a vida é um campo de batalha sem trégua Mano Cria no mic, sem rima ensaiada, só a verdade nua e crua! Ninguém escolheu nascer no inferno, mas tá aqui O destino traçado no berço de lata e Fini A polícia rondando igual urubu na carniça A justiça vendada, mas a sentença é precisa Meu mano saiu com uma Glock na cinta Sabe que o Estado não dá outra alternativa Ou se rende pro crime ou trabalha por mixaria Escolha errada e cova rasa é garantida Sistema sujo, quer nos ver sangrar Trabalho honesto não dá pra bancar! Sobrevivente ou mais um número no jornal Se eu cair hoje, amanhã cê nem vai lembrar! A mãe chorando na fila do presídio Visita marcada, esperança num fio A cela é um templo, o crime é religião Não tem caminho certo dentro dessa opressão Se eu pego a visão, me chamam de revoltado Mas nunca vi burguês preso por assalto armado! Terno e gravata assinam nossa sentença Enquanto meu povo só aumenta a estatística da violência Sistema sujo, quer nos ver sangrar Trabalho honesto não dá pra bancar! Sobrevivente ou mais um número no jornal Se eu cair hoje, amanhã cê nem vai lembrar! O corre é diário, mas o lucro é ilusão 20 anos de trampo ou um milhão na mão? Se a escolha é viver, mas sem dignidade Prefiro morrer de pé do que ajoelhado na grade Mano Cria rima aquilo que o povo sente O ódio na veia, revolta crescente Se a cidade é uma guerra e a paz não existe Que minha voz seja o grito dos que resistem! Mãos na cabeça, encosta, perdeu!