A Viela de Badacosh

Michel F.M.

Composição de: Michel F.M
Úmida e insecável era aquela rua, um pouco depois daqueles 
limites o sol reinava, mas ali não, não ali. Aliás, o 
cheiro de mofo exalado pelas alvenarias e madeiramentos 
depreciados, marcava característica e peculiarmente aquele 
beco, com o esverdeado e vívido musgo que saltava por entre
 os seixos que assentavam a calçada; um catingueiro 
interminável forrava os jardins dos casebres que se 
pareciam mais com caixotes de verdura do que com 
habitações.

Lindo aquele lugar, quando não gostamos do que é bonito, 
mas me agradava. A garotada encharcada corria pelas poças, 
sapateando na lama, brincando de roléfas, atividade 
saudável para essa idade, consistia em segurar uma cinta 
com a fivela solta, perseguindo seu colega para enfim 
acertá-lo com o instrumento, berrando: roléfas. Não me 
pergunte o porquê, nunca soube.

Mas o mais curioso naquela viela, não era a chuva que nunca
 cessava, nem os hábitos e costumes pouco convencionais, 
demasiadamente estranhos e inapropriados de seus 
habitantes. E sim um personagem, talvez o mais antigo 
daquele local, talvez o mais antigo de qualquer localidade 
entre a latitude, a longitude e a altitude. O fundador da 
Viela de Badacosh, um visionário misantropo com a idade de 
320 primaveras.
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