Plenitude

Neocangaço

Composição de: Marcus Magno
Quem me dera entender
O universo em sua plenitude
Desde o tal  Big-Bang
Até a laranja mecânica
E o flexível sistema
Ou a flexibilidade humana
Em sobreviver dia a dia
Sem entender a jogada
Sem conhecer o início
Sem ter idéia do fim

Quem sou eu pra explicar
Tudo auilo que há
Desde a relação Deus com o homem
Até a virgem Maria
Ou o que esta lá
A esperar por nos
Em algum final

Esta é a tal
Era da ciência
E dizem que aqui
É  o nosso futuro
Mas na idéia
Mas na telinha

A água gera disputa
Mas nos temos armas a lazer
E o ar ta escasso
Mas nosso carros podem voar
Assim o mundo não parece
Um bom lugar pra se estar

Esta é a era da tolice
E do descaso com nós natureza
E a primeira
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Natureza
Vira coisa de cinema retro

Quem sou eu pra entender
Ao menos perceber
E que me dera mudar
Tudo que não da pra aceitar

Por volta do século XVIII o iluminismo científico inaugura 
o conhecimento formal paradigmático em contraposição ao 
conhecimento dito popular (incluindo a dogmática 
religiosa). No século XIX a criação das academias de 
ciência marca a busca pelas máximas universais. O discurso 
que vigora no século XXI, em algumas vertentes científicas,
 é o de que já não há grandes descobertas a se fazer. Eu, 
após minha formação científica, tenho a convicta certeza de
 que acredito em muitas coisas, aceitei acreditar nelas, 
tal como a crença num orbi sobrenatural. Desconfianças! É 
isto que a ciência nos proporciona, e que bom que é assim, 
só falta abandonarmos o glamour científico e assumirmos que
 somos crentes profissionais. Ninguém nem estava vivo 
quando se deu o tal Big Bang. Ninguém nunca mergulhou até a
 dorsal meso oceânica ou foi ao núcleo da Terra para 
constatar que o mesmo era sólido. Ninguém nunca viu um 
átomo. Quem contou a história de Martinho Lutero? Quantas 
versões existem para a construção das pirâmides ou para a 
deriva continental? Acredito que mais não sabemos do que 
sabemos, esta convicção nos faz respeitar a vida.
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