Solito gastando mágoas
Chegou junto da porteira
Mas a porteira fechada
Só mostrou a piazada
Que não lhe ouvia os anseios
Não sentiu mais os arreios
Nem o afago das casas
Porque mesmo sem saber
Se transformara em saudade
A asa da liberdade
É sempre feita de penas
Ah peticinho
Com razão ou sem razão
Esqueceu-te o compreender
Igualando-te a tapera
Crucificada no tempo
Cicatrizando na terra
Destrilhas-te a tanto tempo
Que a aguada andará buscando
Velho petiço pipeiro
Das casas se distanciando
Sonha sonhos sem destinos
Cicatrizando um caminho
Por não passar em teu sonhos
Em sonhos de peticinho
A roda da sanga a proveito subiu
E a sede na estância da estrada sumiu
Quem tanta água buscou
Nem um pouco lhe sobrou
Para lavar as feridas
Página 1 / 2Que um par de varas lhe deixou
Num fim de tarde outonal
Descansou seu sofrimento
Junto ao moinho de vento
E lhe causou tanto mal
Quando correu a notícia
Que meu petiço morrera
Sem compreender muito essa existência
Senti que se extraviara um pedaço
Da minha infância
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