Eu escuto, eu vejo e leio com receio
A loucura nas telas em meus devaneios
Pessoas ligadas, mas tão solitárias
E desesperadas pra serem notadas
Se mostram demais e falam demais
Não pensam jamais nos desfechos finais
Apontando, ferindo, brigando e seguindo
Sofrendo, sorrindo, ostentando e fingindo
Discutem o que é fútil, o que é raso e inútil
Ao invés do que melhoraria seu mundo
Uma bunda, o cabelo, um palhaço de terno
Cagando pela boca um discurso perverso
Que escancara a fraqueza da nossa nobreza
Da falta de alguma ideia coesa
Que surja, inclua, instrua e nos una
E preencha a lacuna dessa vida soturna
Um relacionamento, bonito e sincero
Transmutado tormento do abuso indiscreto
Difamada, traída foi retransmitida
Assombrosa ferida jamais esquecida
Ações libidinais se tornando virais
É sua intimidade em vários canais
A verdade exaurida foi emudecida
Pela conveniência das horas corridas
É o vício profundo do microssegundo
O moderno usufruto do poço sem fundo
Fora a selvageria de todos os dias
Tem a psicopatia que para alguns é alegria
Violências carnais em cenas medievais
Compartilhadas na rede como imagens banais
A risada imunda de uma alma moribunda
Nos lembra onde nossa decência chafurda
Há mais dispositivos que gente na terra
Um reflexo de um estilo de vida de merda
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