Hoje eu acordei sorrindo pro espelho Como quem não deve nada a ninguém Ignorei o mundo lá fora gritando E fingi que tava tudo bem As ruas cantavam promessas vazias Com vozes que eu já decorei E eu repeti como um velho costume As mentiras que eu mesmo criei Vamos brindar aos erros de sempre Aos discursos que ninguém mais crê Às certezas vendidas na esquina E ao medo de não pertencer Que seja eterno o que nunca existiu Que seja belo o que já se perdeu E que a gente continue fingindo Que o mundo não desmorona em nós Celebramos a dor disfarçada Com sorrisos prontos pra postar Construímos castelos de vidro Só pra ver tudo desabar E no fundo ninguém se escuta Mas todo mundo quer falar E o silêncio que sobra na noite É o que ninguém quer enfrentar E quando a luz se apagar Quem vai lembrar de quem você foi? E quando o som se calar O que sobrou de nós dois? Que seja eterno o que nunca existiu Que seja forte o que já se partiu E que a gente continue gritando Pra não ouvir o que vem depois Vamos brindar ao fim anunciado Ao começo que nunca chegou Às histórias mal terminadas E a tudo que a gente ignorou Vamos cantar até não restar nada Nem razão pra continuar Porque no meio de tanta mentira Talvez seja tarde pra mudar Hoje eu desligo o mundo lá fora E encaro o que eu sempre evitei Porque no meio de tudo em ruínas Ainda existe um resto de mim Que eu não sei se salvei