Qual o valor da vida no vale da morte? Onde uns sangram, outros pisam, não contem com a sorte! Versos fecham feridas, suturam cortes De almas à deriva, procurando um norte Naufragando escombros deixados pelos traumas Procurando luzes no escuro da sua alma Carregando mundos, desenhei meu atlas E, de forma tão sublime, dores mapeadas Me queimei no frio do gelo no escuro Fiz do próprio brilho um porto seguro Alívio via áudio, transmito a mensagem Psicografo linhas tipo Chico e Sabotage Magia lá do mangue, mixo arte e realidade Na fonografia boombap de verdade Não era pelo lucro, e hoje tenho type beat O tempo também cura, só sabe quem resiste O que seu silêncio grita quando olha à sua volta? Tudo que me trouxe lucro não cabe numa faixa Estando à deriva: Se nada ou se afoga? Medo é uma âncora que te prende e sufoca Não é questão de hype, peso ou velocidade Pela densa névoa, houve dores e sufrágios No meio dessas trevas, ouvi cores e valores Nuvens sempre cinzas, já não temo raios Sangue e choro em cada frase que eu gravo Objetivo aqui não é comprar uma ilha Cada letra escrita é boia pra um náufrago Minha caneta grifa: Ainda existe vida No mar aqui de dentro, o flow serviu de remo Vejo os tubarões tão perdidos quanto o Nemo Lá fora tá chovendo, eu ainda quero tinta Se o mar não der peixe, eu pesco a Mobb Deep!