As pessoas tremem ao ouvir o nome de um demónio
Mas não tremem quando mentem
Não tremem quando traem
Não tremem quando manipulam

Talvez o inferno nunca tenha sido o maior medo
Talvez seja o espelho

Têm medo dos demónios, mas vivem a mentir
Apontam para o abismo sem medo de cair
Falam de pecado com a boca fechada
Mas escondem segredos atrás da fachada

Um aperto de mão pode esconder uma lâmina
Um sorriso bonito pode esconder uma máquina
Dizem confia em mim olhando nos teus olhos
Enquanto pelas costas já dividem os teus sonhos

Não são os chifres que tornam alguém cruel
Nem toda maldade vem descendo do céu
Às vezes veste terno, às vezes veste amigo
Às vezes dorme ao teu lado e chama-te de querido

O inferno não me assusta
Nem as sombras no chão
O que me assusta é olhar no espelho
E não reconhecer o coração

A maldade não tem chifres
Tem máscaras no rosto
Sorri durante o dia
Mas apunhala no escuro

As pessoas temem demónios
Mas não temem a própria mão
O inferno não é o que assusta
É ver quem somos na escuridão

Traição com perfume, mentira bem vestida
Manipulação disfarçada de preocupação fingida
Chamam isso de amor, chamam isso de amizade
Mas quando cai a máscara, aparece a verdade

Já vi inocentes com coração de pedra
E monstros que carregavam a dor na pele
Por isso não julgo pelo rosto que vejo
Porque até a luz pode esconder um desejo

Não confio em palavras bonitas
Nem em promessas feitas de madrugada
A verdade não precisa de teatro
A mentira precisa de uma plateia montada

O inferno não me assusta
Nem aquilo que não posso ver
Tenho mais medo de quem diz eu amo-te
Enquanto prepara a queda sem tu saberes

A maldade não tem chifres
Tem máscaras no rosto
Sorri durante o dia
Mas apunhala no escuro

As pessoas temem demónios
Mas não temem a própria mão
O inferno não é o que assusta
É ver quem somos na escuridão

Tira a máscara

Quem és tu?

Sem o teu nome
Sem a tua imagem
Sem aquilo que finges ser

Quem sobra?

Talvez o monstro que procuravas
Nunca tenha estado debaixo da cama

Talvez estivesse

No espelho

A maldade não tem chifres
Tem máscaras no rosto
Faz promessas durante o dia
E destrói sonhos no silêncio

Tremem ao ouvir demónio
Mas não tremem ao trair
Talvez o verdadeiro inferno
Seja aquilo que escolhemos ser

Não é o inferno que assusta
É o espelho
Porque quando todas as máscaras caírem
Não haverá demónio para culpar
A maldade não precisa de chifres
Só precisa de uma máscara

Informações da música

Composição: pedro saiete

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