Moro na casa de piso de taco antigo
Terreno bem perto de um braço morto de rio
Moro num lote em declive de mato crescido
Na terra cansada que esconde um brejo bonito
Moro na encosta de um pico de barro escorrido
Na selva asfixiada rachando o ladrilho
No alto um Sol de fuligem, vermelho encardido
No peito a fumaça de tosse incomoda o vizinho
Vi sentado a várzea verde virar um bairro
Um gramado seco e feio já foi um bosque
E o rio não faz mais curva
A rua e seus meninos
À própria sorte
A vida segue seu caminho
Padrasto, velho e filho
Moro na rua que dava num riacho limpo
Que tinha uma pedra sagrada de um povo ameríndio
Na curva que tinha um roçado hoje é concreto erguido
Havia um cheiro de mato, hoje fede a lixo
Vi sentado a várzea verde virar um bairro
Um gramado seco e feio já foi um bosque
E o rio não faz mais curva
A rua e seus meninos
À própria sorte
A vida segue seu caminho
Padrasto, velho e filho
Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som
Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som
Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som
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