Pode parecer que eu não lembro, que o tempo te engoliu
Mas sinto o peso do que nunca se extinguiu
Você é a estática em cada decisão
Uma ferrugem presa no meu coração
São pedras pequenas no meu caminho de cascalho
Um ato antigo que ainda me tira o fôlego e o trabalho
A memória é um rio de lama a transbordar
Muda de cor toda vez que eu tento localizar
Onde termina a sua carne? Onde começa o meu breu?
No espelho quebrado, o reflexo que não morreu
É a eclosão de um monstro que não te esqueceu!
No meu código genético, o que envelhece é teu!
Você é o desvio no meu modo de caminhar
A sombra deformada que eu cansei de arrastar
É inevitável fingir, visceral
Um luto ancestral!
Páginas podres, esquecidas pelo chão
Você é a tinta preta da minha negação
Sua história escreveu na minha linha
Virou compasso, sombra e sina
O último sorriso insiste em me morder
Enquanto o meu eu tenta não se dissolver
Decisões, fantasmas no meu trilho
Um Sol de chumbo que roubou o meu brilho
Você é o vácuo, a presença onipresente
Um prego enferrujado fincado no meu presente!
No meu presente!
Eu ainda decido, ou acho que sim
Mas é o seu fantasma que cospe por mim
Sempre será difícil falar sobre isso
Ainda está aqui
Embaixo da pele
Sempre aqui
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