Fadista, geme a tua desventura
Não faças conta ao tempo quando choras
Que o fado, em certas horas de amargura
Só deve ser cantado fora de horas
Não bate o coração a horas tantas
Nem sabe quando ri ou quando choras
O fado é mais sentido quando o cantas
Se a hora do cantar passa da hora
O fado é o destino de uma hora
Um dia ela virá, mas não sei quando
Quem tem um coração que canta e chora
Não pode ouvir as horas que vão dando
Bateu-me o fado à porta, lentamente
A quem fui receber de mãos abertas
Meu triste coração ficou doente
E nunca mais bateu a horas certas
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