O surdo bate, imita o coração
Mas a voz do desengano diz que é ilusão
Atrás do trio, o que a gente percebe
É a Vontade cega que nunca sossega
O brilho da lantejoula é só representação
Por trás da máscara, a velha desolação
É o Carnaval da falta, o Bloco do Vazio
Um mar de gente quente com o espírito frio
Entre o tédio de quarta e a dor de domingo
A gente dança enquanto a vida vai sumindo
O mestre argentino já nos deu o aviso
Não há ética no mundo que nos dê o paraíso
Nascemos pro atrito, pra queda estrutural
O confete é o disfarce do nosso ponto final
Cada passo na avenida é um peso pra carregar
A alegria é o esforço pra não ter que chorar
É o Carnaval da falta, o Bloco do Vazio
Um mar de gente quente com o espírito frio
Entre o tédio de quarta e a dor de domingo
A gente dança enquanto a vida vai sumindo
Beija na boca pra esquecer que vai morrer
Grita bem alto pro silêncio não vencer
Mas a ressaca, meu amor, é a única verdade
A vida é um pêndulo entre a náusea e a saudade
Acabou a bateria, o asfalto tá deserto
O velho de Frankfurt, Ele sempre esteve certo
Cinzas ao chão, o nada se revela
Fecha a cortina, apaga a vela
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