Somos, somos, somos
Nessa vida de nada
Nessa vida traiçoeira
Andamos por aí com roupa cara, mas com pensamentos vazios
Quase não lemos livros, somos boys do ginásio
Temos corpos musculados, intelecto desnutridos
Likes e visualizações hoje são sérios objectivos
Falta comida, mas dizemos ter vida de sonhos
Escravos das aparências, nós somos o que não somos
Típicos protótipos da geração da utopia
Seguimos débeis conceitos, o que é bom fica na pia
Não ligamos pra escola é corremos por futilidades
Andamos de cima a baixo buscando banalidades
O meu pai tem isso e aquilo, geração da ostentação
O respeito vem do número de vezes que se risca o cartão
Alienados, formatados, somos telecomandados
Necessários em campanhas e depois postos de lado
Cobaias de um sistema que nos torna segredos
Autómatos, conformados, objectos monitorados
Somos aqueles que não amam por ser coisa de fracos
Ego inflamado, os tais niggas com buzz
Imponência no carácter, somos todos reis no que fazemos
Somos opositores de tudo o que não compreendemos
Já foi o tempo que o mundo era mundo
Que as nossas lágrimas enxugavam com amor
Já foi o tempo que o vizinho era família
Que o primo era irmão
Até dói no coração
Vivemos todo bem, no story do Insta e Facebook
A geração onde o cérebro vale menos que o look
A geração que vive atenta ao TikTok e Big Brother
Mas ignora irmãos famintos lá no block, na calçada
Somos tudo, somos nada, alguns perdidos na estrada
Somos artistas vazios, iludidos com a fama
Somos o que o momento exige, agimos por conveniência
Somos melhores do que os outros, com o ego em recrudescência
Somos pais imaturos, somos casais inseguros
Somos aqueles que nunca erram, os de coração puro
Somos cristãos, somos budistas, atéus e muçulmanos
Focados em agradar ao mesmo tempo a gregos e a troianos
A oposição já conformada com o nome
Somos o filho do patrão, somos o puto com fome
Somos todos criativos, somos todos artistas
E pela cor das pautas também somos benfiquistas
Nós somos isso
Já foi o tempo que o mundo era mundo
Que as nossas lágrimas enxugavam com amor
Já foi o tempo que o vizinho era família
Que o primo era irmão
Até dói no coração
Somos muito em aparência, mas pouco em substância
Da terra onde o bom carácter já perdeu relevância
Eruditos em teoria, mas quase nunca no activo
Julgamos escolhas, mesmo sem conhecermos motivos
Veneramos Jesus com cânticos à entrada da cidade
Mas escolhemos Barrabás na hora da dificuldade
No mesmo dia duas caras, dupla personalidade
Somos betinhos de manhã, mas dope boyz ao fim da tarde
Os chamados de gangaters quando está tudo bem
Mas no primeiro babulo corremos pro colo da mãe
Odiamos o ódio, mas o amor é coisa rara
Somos revolucionários, mas não queremos dar a cara
Somos nós a espécie mais complicada da Terra
Apologista da paz, mas entusiastas da guerra
Somos humanos desumanos, contraditória espécie
Os anónimos, famosos, undergrounds na superfície
Já foi o tempo que o mundo era mundo
Que as nossas lágrimas enxugavam com amor
Já foi o tempo que o vizinho era família
Que o primo era irmão
Até dói no coração
Somos meros mortais, nessa vida
Nessa vida de nada
Nessa vida traiçoeira
Nessa vida de nada
Nessa vida traiçoeira
Somos, somos meros mortais
Nessa vida de nada
Nessa vida traiçoeira
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