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Duplas sertanejas antigas: relembre as mais importantes

Tem gente que ama, tem gente que odeia. Porém, o fato é que, querendo ou não, o sertanejo faz parte da vida de muita gente. Por isso, duvido você não lembrar de, pelo menos, umas duas ou três músicas de duplas sertanejas antigas que se entrelaçam com alguma fase da sua história. Nem que seja lá no fundinho do baú!

Tonico & Tinoco, dupla sertaneja antiga
Tinoco (à dir) foi o artista sertanejo que ficou mais tempo na ativa: 82 anos. Foto/internet

Desde que foi criada, por volta de 1929, pelo multifacetado Cornélio Pires, a trajetória sertaneja passou por muitas mudanças, sempre se reinventando. Ao passo que, até chegar nessas mega produções atuais, artistas pioneiros tiveram que suar a camisa e dar a cara a tapa pra abrir caminho para a evolução musical.

Dito isso, neste post, selecionamos algumas duplas sertanejas antigas pra você relembrar e matar a saudade. De antemão, dá uma olhada nas figuras que vão reaparecer por aqui:

  • Tonico & Tinoco
  • Tião Carreiro & Pardinho
  • Matogrosso & Mathias
  • Lourenço e Lourival
  • Luizinho e Limeira
  • As Galvão
  • Pedro Bento & Zé da Estrada 
  • Zé do Rancho & Mariazinha
  • Inezita Barroso 
  • Pena Branca e Xavantinho

Só gente talentosa em tudo que faz, hein? Então, se prepare por aí e bora curtir cultura brasileira.

As 10 melhores duplas sertanejas antigas

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que não temos a pretensão de listar todas as duplas sertanejas antigas num post só. Menos ainda, ranquear cada uma delas. Ou seja, pode tirar o cavalinho da chuva, porque as duplas aqui não estão em ordem de importância.

Pra resumir, nosso critério foi relembrar as duplas que, além de fazer sucesso, quebraram as regras de alguma forma, até meados dos anos 70. Dito isso, tá pronto pra entrar no túnel do tempo? Agora, gueeenta coração!

Tonico & Tinoco

Em primeiro lugar, a música caipira não seria a mesma se Tonico e Tinoco não tivessem nascido. Sobretudo, deixaram sua contribuição para as duplas sertanejas e violeiros que viriam.

Os irmãos João (Tonico) e José (Tinoco) iam além da saudade da terra e da amada perdida nas músicas. Também, cantavam fé, tristeza e amizade. As letras, por sua vez, eram simples e profundas ao mesmo tempo. Quer um exemplo? Pois em Chico Mineiro, com 3 estrofes apenas, eles traçam uma tragédia com uma reviravolta que daria inveja até em Shakespeare.

Achou exagero? Então, ouça de novo com outros ouvidos e, de quebra, aprenda a tocá-la na viola com a gente:

Tião Carreiro & Pardinho

Foi com Pardinho que Tião Carreiro, que está na nossa lista dos melhores violeiros do Brasil, lançou Pagode em Brasília, um dos ícones da viola caipira.

Dizem as más línguas, no entanto, que eles não eram o exemplo de amizade em dupla. Pelo contrário, brigavam bastante e se separaram em 1991. Depois disso, Tião se uniu com Praiano. Enfim, intrigas à parte, a parceria musical do Tião com o Pardinho foi boa enquanto durou. Estenda a Bandeira Branca e veja só:

Matogrosso & Mathias

As tretas também marcaram a próxima dupla, tanto que, assim como ocorre com duplas sertanejas modernas, quando um integrante é substituído, o substituto “herda” o nome do antecessor. Na “marca” Matogrosso & Mathias, já houve três formações desde o início, em 1966. 

Mas, novamente, tretas à parte, a dupla sempre conseguiu abalar o coração de muito machão por aí. Sente só o sentimento neste vídeo da primeira formação da dupla:

Lourenço e Lourival

O bom humor dá o tom desta dupla, que está na ativa há mais de 60 anos. Mais precisamente, desde 1959. Lourenço e Lourival, os irmãos Arlindo e Antônio, são conhecidos como “os violeiros da voz de cristal” e gravaram 45 álbuns ao longo da carreira.

Nos shows, a marca deles é satirizar e fazer graça com os nomes das próprias músicas. Por exemplo, Leitão à Pururuca vira “Leitão à Perereca”, juntando dois temas que eles, vira e mexe, abordam: comida e safadeza. Tem Franguinho na Panela, Só Filé e Chuchu da Minha Marmita, que lança um “é meu prato preferido aquela mulher bonita”.

Atualmente, a dupla tem conquistado um público abrangente em shows on-line. Veja só esta live:

Luizinho e Limeira

Pode ser que você não conheça Luizinho e Limeira, mas, certamente, já ouviu bastante a obra-prima deles: Menino da Porteira. Ela foi lançada pela dupla, em 1955, e regravada por Sérgio Reis, em 1973.

A dupla fez muito sucesso nos anos 50 e, mais tarde, virou um trio, agregando a acordeonista Zezinha. Aí vai um dos sucessos deles pra você conhecer:

As Galvão – (Antiga Irmãs Galvão)

Falamos, agora, sobre a primeira dupla feminina que conquistou projeção nacional, As Galvão. As irmãs Mary e Marilene ficaram 74 anos na ativa (a partir de 1947), encerrando, recentemente, uma carreira bem-sucedida.

Num mercado dominado, sobretudo, pelas vozes masculinas, as irmãs cantavam desde pequenininhas (5 e 7 anos). Depois, além de aprimorar as vozes, faziam o que ainda era raro para mulheres da época: aparecer tocando sanfona e viola. Além disso, gravaram dezenas de discos, mais de 300 músicas, ganharam prêmios, participaram de programas de TV.

Definitivamente, romperam barreiras e abriram caminho para outras estrelas femininas do sertanejo brilharem. Enfim, ouça esses vozeirões em plenos 70 anos de estrada:

Pedro Bento & Zé da Estrada

Os chapelões de mariachi eram a marca desta dupla que permaneceu unida por 63 anos (de 1954 a 2017). Dessa forma, Pedro Bento & Zé da Estrada inovaram ao misturar nosso sertanejo com toques e instrumentos da música mexicana, como os trompetes.

Juntos, eles gravaram mais de 2 mil músicas, distribuídas entre LPs e CDs. É de Pedro Bento a coautoria de Galopeira, por exemplo. Além disso, a dupla fez sucesso com Dama de Vermelho, Seresteiro da Lua e Sete Palavras:

“Vovôs” das duplas sertanejas antigas: Zé do Rancho & Mariazinha

Primeiramente, pedimos desculpa pela música-chiclete que, provavelmente, vai ficar na sua cabeça depois de passar deste trecho. Já sabe qual é a música, maestro? Então, aí vai uma dica: ela conta a história de um carinha e suas desculpas deslavadas porque não levou a patroa no forró (ou na pagodeira, se preferir). Depois, é proibido de entrar em casa. Em outras palavras, levou aquele troco bem dado.

Isso mesmo, o casal Zé do Rancho & Mariazinha é responsável por A Resposta da Mariquinha, lançada em 1969. Mas, certamente, você a conhece nas vozes fofas de Sandy e Júnior que, inclusive, são os netinhos deles.

Aposto que esta é a meta de muito casal por aí:

Inezita Barroso

Obviamente, a Inezita Barroso não é uma dupla. Apesar disso, não queríamos deixar de citá-la ao destacar quem, certamente, serviu de inspiração para muitas duplas sertanejas antigas.

Possivelmente, uma das primeiras músicas que vem à cabeça quando falamos dela é Marvada Pinga. Aliás, onde já se viu, nos idos de 1953, uma mulher cantar que gosta de beber até cair depois de uma branquinha, não é mesmo?

Porém, ela não tava nem aí para os padrões. Pegava na viola como ninguém e deitou e rolou no meio artístico. Assim sendo, Inezita atuou no cinema, no rádio, na TV… E ainda era bibliotecária e professora. Olha ela aí, dominando a viola:

Pena Branca e Xavantinho

Acima de tudo, a música caipira nunca mais foi a mesma desde que José Ramiro Sobrinho e Ranulfo Ramiro da Silva formaram Pena Branca e Xavantinho. Isso foi no início da década de 1960, quando os irmãos ex-trabalhadores da roça inovaram ao lançar canções da renomada MPB na viola caipira.

Nesse sentido, “acaipiraram”, por exemplo, O Cio da Terra, de Chico Buarque e Milton Nascimento, que retrata a rotina do homem do campo. Na mesma linha, lançaram Canto de Um Povo de Um Lugar, do Caetano Veloso, e Calix Bento, folclore adaptado por Tavinho Moura.

Aprenda a tocar outro sucesso famoso com a dupla, Cuitelinho:

Vida longa às duplas sertanejas antigas!

E aí, gostou de relembrar as duplas sertanejas que marcaram a história da nossa música? Então, compartilhe este post com outros saudosistas de plantão!

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