No frio missioneiro eu canto
Acampado à beira do rio
Meu verso nasce do campo
Na alma de quem partiu
Sou cria desta terra bruta
De estância, pedra e capim
Aprendi cedo na luta
Que o mundo não é pra mim
No sangue corre milonga
Que nem rio sem barragem
Cada acorde prolonga
Do centauro a coragem
Se a noite se faz lobuna
Meu canto não se desfaz
Preenche da alma a lacuna
E mostra do que sou capaz
Ao chegar o fim derradeiro
Na última lida de peão
Hei de morrer missioneiro
Milongueando esta canção
Junto de Sepé e Tacuabé
Dois guerreiros de valor
Vou cantar outra milonga
Bem na estância do Criador
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