Viagem de mundo a mundo
É a lida de boiadeiro
A lembrança ainda é quente
Pequena semente, sorriso façeiro
Conhece a cor e o caminho
Areia e pedra deste sertão
A rédea segura com força
Já enfrentou onça neste pé de chão
Tocaias pelas catingas
Secas e cheias já presenciou
Malária peste e praga
Briga de faca, fome e frio passou
Do boi sabe todas as manhas
E as surpresas dessa jornada
O vento, seu instrumento
O sol marca o tempo de tocar boiada
A lua sua madrinha
Companheira na solidão
O adormece no sereno
Tempero, aconchego, sonho, coração
No fim do prazo de trinta dias
Depois de tanger o gado
Conclui a comitiva
Vai doce da vida, estirão é passado
Mas agora chegou de viagem
Com chita, perfume e saudade
Rita espera na janela
Luz da primavera, aroma que invade
Manda chamar as crianças
Manda vir o violeiro
Que hoje a noite é de festa
Catira e seresta pra alegrar o tropeiro
Convida todo povoado
Que há de ter muita fartura
Busca cachaça da boa
Assa uma leitoa, traz fruta madura
Fizeram oferenda pro santo
Cantoria a noite inteirinha
Tropeiro e a moça dançaram
Depois se amaram, ao clarear do dia
Mas festa não é pra sempre
Chegou o aviso do patrão
Sexta-feira antes que anoiteça
Seiscentas cabeças pra chegar em Matão
Rita já acostumada
A passar noites sem seu peão
Entrouxa o bornal e o jacá
Acorda as crianças pra pedir a benção
Foi se embora pela estrada
Mais Juca, Chico e Zé Vieira
Nilo com sua viola dentro da sacola
Pra espantar a canceira
Levava consigo uma foto
De Rita na roça com vestido novo
Acalmava sua espera
Até em suas terras chegar de novo
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