No meio da jornada, eu me perdi na selva
A razão turva, a alma em total revolta
Três feras me cercavam, leão, pantera e loba
Sem saber como avançar, sem abrigo ou folga
Então surgiu a sombra, o mestre Virgílio
Vem comigo, poeta, sou teu guia, teu auxílio
O caminho é descida, a esfera infernal
Para ver o pecado e julgar o mal
Oh, jornada de espanto! Os gritos do Inferno profundo
Ver a dor do pecado em cada vulto do mundo
A divina comédia, um traidor imortal
O castigo é a medida do erro original
Virgílio me ampara, me tira de toda cilada
A subir para a luz, na longa e estreita escada
O portão se abriu: Abandonai toda esperança!
O Aqueronte a gemer, sem trégua, sem bonança
Os indolentes e os luxuriosos na penumbra
A ira de Minos, o juiz que tudo vislumbra
Os gulosos na lama, os avarentos em peso
Na Cidade de Dite, a blasfêmia e o desprezo
Em vales e fossos, fraude e violência se expandem
Com o rio Flegetonte, onde os tiranos se defendem
No fundo, o Gelo eterno, onde a traição congela
E a figura de Lúcifer, com três bocas em sequela
Passamos por Cérbero, Mênade, centauros e harpias
Aprendendo a lição que o castigo irradia
Oh, jornada de espanto! Os gritos do Inferno profundo
Ver a dor do pecado em cada vulto do mundo
A divina comédia, um traidor imortal
O castigo é a medida do erro original
Virgílio me ampara, me tira de toda cilada
A subir para a luz, na longa e estreita escada
Deixamos as trevas, a ilha da montanha subimos
Onde a alma se purifica dos erros que cometemos
Os sete pecados capitais, gravados na fronte
Cada um com sua pena na íngreme ponte
O Orgulho curvado, a Inveja de olhos costurados
A Ira na fumaça, os espíritos calados
A Preguiça correndo, a Avareza deitada
A Gárgula faminta, a Luxúria na labareda dourada
Aqui a esperança floresce, o tempo é de espera
Até que o peso caia, e a alma se libere
Virgílio se despede, sua missão está finda
Pois a Razão não alcança a Glória Divina e linda
Surge Beatriz, vestida de pureza
A Fé, a Graça, a Luz, a mais alta beleza
Ela me conduz pelo Paraíso Terrestre, o Jardim
Para a Água do Leteu, onde a memória tem fim
O Purgatório é a ponte, o passo da redenção
Olhando para o alto, buscando a perfeição
Oh, jornada de espanto! Os gritos do Inferno profundo
Ver a dor do pecado em cada vulto do mundo
A divina comédia, um traidor imortal
O castigo é a medida do erro original
Virgílio me ampara, me tira de toda cilada
A subir para a luz, na longa e estreita escada
Oh, jornada de espanto! Os gritos do Inferno profundo
Ver a dor do pecado em cada vulto do mundo
A divina comédia, um traidor imortal
O castigo é a medida do erro original
Virgílio me ampara, me tira de toda cilada
A subir para a luz, na longa e estreita escada
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