No corre da quebrada
É viver e resistir
Mesmo quando pesa
Não pode desistir
Entre sirene e som
A rua não vai dormir
Quem segue de pé
Tem que lutar pra existir
Segunda de manhã
8h00 do dia
Eu no corre da escola
Soltando a ideia
Escrevendo sobre a vida
A treta como ela é
A vida do Trabalhador
Que trabalha anda a pé
O irmão que sofre racismo
Por sua cor ser preta
É humilhado na quebrada
De dia até a noite inteira
O moleque chave
Com o futuro a brilhar
Deixou o estudo de lado
Pra meter a cara e errar
Não escutou o pai
Não escutou a família
Entrou para o crime
E pagou o preço da vida
4 horas da tarde
Um pipoco se escuta
Os coroa no bar
No dominó uma disputa
6: 30 da tarde
A luz do poste acesa
As motos na rua
E os Zé povinhos na mesa
A noite vem chegando
O céu nublado
Com as nuvens carregada
De quem ficou no passado
Na quebrada o dia é luta
Não tem moleza
O Corre é pesado
Mas a mente é firmeza
Os mano se levantam
Não podem vacilar
Na batalha da vida
Só resta acreditar
No corre da quebrada
É viver e resistir
Mesmo quando pesa
Não pode desistir
Entre sirene e som
A rua não vai dormir
Quem segue de pé
Tem que lutar pra existir)
Camisa do Flamengo
Cordão de prata
Chinelo havaianas
E a maldade na cara
Chegou falando pra mim
(Como é que está a quebrada?)
Aqui o clima tá quente
Aqui a vida tá pesada
A vida é dura
A vida é cobrada
Se fez maldade pra alguém
Cê vai pagar com cilada
Dia dos negros chegando
Cultura avançando
Lá na sala de aula
As meninas vão dançando
O moleque na sala
Se prepara pra apresentar
Com Calça e camisa preta
Com a Beleza espalhar
Com cabelo crespo
E a pele negra
Lutando contra o racismo
Lutando contra a pobreza
Ele se sustenta
Cortando cabelo
De manha e a tarde
Aqui em Pinheiro
O malandro é esperto
E tem muita sorte
É conhecido na cidade
(Ae rikinho do corte)
Às 6 horas da tarde
Os homens com a viatura
Com giroflex ligado
Rodando as ruas
Um celta vermelho
Com o som no porta-malas
O grave ecoa mais
Do que o som de uma bala
E o som do carro ligado
Tocando o pancadão
Lá na rua do lado
O som estremece o chão
La no buteco da rua
O som vai fazendo mal
A comunidade se prepara
Pra ir lá assistir a final
A bandeira do time
No ar vai balançando
Igual a liberdade
Que vai pedindo os mano
A pessoa tem que lutar
Para poder de conseguir
Porque nada vem de graça
A não ser o resistir
No corre da quebrada
É viver e resistir
Mesmo quando pesa
Não pode desistir
Entre sirene e som
A rua não vai dormir
Quem segue de pé
Tem que lutar pra existir
A noite cai na city
O bagulho fica louco
Com as moto na festa
E o povo todo rouco
Gritando pelo time
A paixão vermelha e preta
A realidade aqui
É outra treta
Nas ruas da cidade
A noite virou
Com carreta e torcedores
Que o mengao consagrou
Aqui o campo é de terra
A bola é de trapo
O apito é o tiro
Que não tem contrato
No povoado, o Sol nem tinha se posto
Mais um no corre perde a condução
Tomaram de assalto mudaram o desgosto
Sem dó o crime não tem compaixão
O doutor da política
Que devia dar exemplo
Deu na mulher
E foi para lá dentro
Mas o circo está armado
Ela impede a prisão
Sobe no camburão
Meu Deus que situação
A grade tá fechada
Mas o olho tá esperto
Do portão de ferro
Eu vejo o mundo de perto
O vizinho tá na lida
A mãe tá no batente
Dinheiro que não vem fácil
O suor escorre quente
No corre da quebrada
É viver e resistir
Mesmo quando pesa
Não pode desistir
Entre sirene e som
A rua não vai dormir
Quem segue de pé
Tem que lutar pra existir
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