Cifra Club

Músicos estão investindo em apps próprios: será que funciona?

Desde que a música assumiu um lugar na cadeia de consumo da indústria do entretenimento, os artistas se veem na condição de seguir as tendências propostas pelo mercado. Tentar ignorar ou caminhar na direção contrária quase sempre representa um retrocesso na carreira – o que, por sua vez, reflete negativamente nas vendas de shows e álbuns.

Testemunhamos, em um fenômeno contemporâneo, a soberania dos smartphones e dos aplicativos que tornam esses dispositivos mais atraentes – e até necessários – aos olhos e dedos do consumidor. Como não poderia ser diferente, a onda dos apps chegou no mundo musical e há um movimento de artistas que estão dispostos fazer deles um dente da engrenagem que move a carreira.

Primeiro foi Lady Gaga – em 2012, a cantora lançou o aplicativo Little Monsters, que funciona como uma rede social para reunir os fãs da cantora (que se autointitulam como little monsters, daí o nome do app) e ao mesmo tempo, conectarem o público ao universo da artista.

Little Monsters (Reprodução/App Store)

Recentemente, foi a vez de Taylor Swift lançar o seu próprio aplicativo. O objetivo é o mesmo: criar um canal de interação entre o conteúdo da artista e seus fãs, que vai além de redes sociais como Instagram e Twitter.

E este não é o primeiro app lançado pela cantora: um exemplo é o aplicativo Blank Space, que revelava os bastidores do clipe, um dos carros-chefes do bem sucedido álbum, 1989.

Com o recém-lançado The Swift App, Taylor – assim como Lady Gaga e exemplos brasileiros que veremos a seguir – cria uma espécie de “rede social própria”, alimentada pela equipe do artista, que promete aos fãs conteúdo exclusivo daqueles que já são vistos normalmente no Instagram ou Twitter do músico.

APROXIMAÇÃO NECESSÁRIA

Em tempos de revoluções tecnológicas e de cada vez mais ascensão das redes sociais, as duas artistas pop foram inovadoras ao enxergarem possibilidades mercadológicas ao unirem rede social com o que há de mais inovador de aplicativos para smartphones.

A analista de marketing, Lívia Rios, vê com otimismo essa nova guinada dos artistas: “Acredito numa boa recepção do mercado para a estratégia, porque é bom para ambos os lados. Me parece que os artistas vão aderir ao modelo cada vez mais, porque assim estreitam os laços com os fãs e controlam esse relacionamento melhor. E para o público a sensação de ‘ser notado’ pelo ídolo é encantadora”, pontua.

APPS EM VERSÃO BRASILEIRA

Do lado de cá da Linha do Equador, os artistas também estão ligados na questão de aplicativos. Dois cases interessantes são os de Luan Santana e Ludmilla, astros da cena atual da música brasileira popular.

O cantor lançou, em junho deste ano, o seu app. Além de trazer fotos, vídeos e conteúdos exclusivos, o “Aplicativo do Luan” possibilita interações do fã com o ídolo, além de criar uma verdadeira rede social com outros fãs.

POR QUE “FLOPOU”?

Apesar da ótima intenção de estabelecer uma conexão com seus fãs, o app de Luan Santana pode ter um alcance aquém do que o exército de adoradores do artista é capaz de proporcionar. Tudo porque após a primeira semana de uso gratuita, o usuário precisa pagar R$9,90/mês para continuar usando o aplicativo.

Como a base de fãs de Luan é jovem, a taxa de rejeição na hora de ter que investir dinheiro tende a ser alta – fora que o preço mensal é quase o mesmo de outros aplicativos bastante populares, como Spotify e Netflix, que parecem mais funcionais, mesmo para esses fãs.

Aplicativo do Luan (Reprodução)

Quem também seguiu a tendência da modernidade digital foi a pop star carioca Ludmilla. O app da morena é grátis, mas um tanto quanto desatualizado. Até o fechamento desta matéria, a postagem mais recente do app da Lud foi publicada há três meses.

App da Ludmilla (Reprodução/Google Play)

A ideia desses apps de condensar em um único espaço conteúdo sobre o ídolo e criar interações entre os próprios fãs é uma espécie de “evolução” dos bons e velhos fã-clubes oficiais, que produzem conteúdo em proximidade com os ídolos e criam conexões entre si. Mas, em um universo de aplicativos de vários tipos diferentes e em tempos cada vez mais corridos, ter mais uma rede social para tratar apenas de um assunto só parece interessante mesmo para os fãs mais aficionados.

Falta de atualização e preços pouco compensatórios podem justificar a pouca efetividade desses apps para os fãs brasileiros. No caso da Lady Gaga, o Little Monsters também não vingou muito. A aposta é que o fato de os artistas manterem suas redes sociais gratuitas sempre atualizadas, não faz sentido se dedicar a mais uma rede social – ainda mais que fóruns e páginas no Facebook de diversos fã-clubes auto-organizados ainda funcionam bem. Os próprios fãs acabam criando, em seus nichos, redes de interação com outro fãs, através dessas páginas – que são atualizadas com uma frequência invejável para muitas agências de notícias.

Esse conteúdo, alimentado pelos próprios fãs, que se revezam nas publicações, acaba muitas vezes sendo mais interessante do que aplicativos elaborados pelos próprios ídolos, na intenção de condensar a administração do conteúdo desses artistas vendendo-os como “exclusivos”. As alternativas mais simples e gratuitas ainda funcionam melhor, mesmo num mundo digital de mil possibilidades. Cabe aos artistas continuar pesquisando e investindo em alternativas que pareçam realmente indispensáveis a seus fãs, do mero curioso ao mais aficionado.

Leia também

Ver mais posts

Cifra Club Pro

Aproveite o Cifra Club com benefícios exclusivos e sem anúncios
Cifra Club Pro
Aproveite o Cifra Club com benefícios exclusivos e sem anúncios
OK